Por Julio Cesar
Na tarde de segunda-feira, 23 de junho, a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (APADEVI), em Ponta Grossa, foi palco de um evento especial que uniu literatura, inclusão e sensibilidade. A escritora paranaense Dione Navarro lançou a coleção “Viajando pelo Reino Encantado”, composta por quatro livros infantis pensados para crianças com diferentes níveis de baixa visão.
A iniciativa, desenvolvida em parceria com a ABC Projetos Culturais, foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura. O objetivo do projeto foi ampliar o acesso à literatura por meio de obras adaptadas com recursos gráficos acessíveis e versões em audiolivro com audiodescrição, beneficiando também crianças cegas ou não alfabetizadas.
Quatro histórias
A coleção foi composta pelos títulos: Aventuras da Xeretinha na Ilha do Mel, Rodopiando Versos, O Reino das Portas Fechadas e Livros de Pedra
As obras foram ilustradas por Waldomiro Neto, Élio Chaves e Wagner Muniz, com tiragem de mil exemplares por título. Os livros foram distribuídos gratuitamente a instituições do Paraná que atendem crianças com deficiência visual.
Durante o lançamento em Ponta Grossa, alunos e professores da APADEVI participaram de atividades interativas com escritores, ilustradores e representantes das secretarias municipais de Educação e Cultura. Um dos momentos mais simbólicos foi a entrega dos livros aos estudantes, reforçando o papel do acesso à cultura desde a infância.
Literatura que nasceu da escuta
Segundo Dione Navarro, a inspiração para o projeto surgiu após a doação dos direitos autorais do seu livro A Galinha Que Queria Ser Perfumista à APADEVI, que o traduziu para o sistema braille e, posteriormente, em audiobook num projeto em parceria da autora com os alunos do curso de Jornalimo. A partir dessa experiência, a autora passou a visitar instituições voltadas a pessoas com deficiência visual e percebeu a ausência de livros adequados para esse público.
Leia aqui: Curso de jornalismo da UniSecal entrega audiobook à entidade de PG
“Foi nesse contato direto com as crianças que entendi a necessidade de criar algo acessível. Nem todas leem em braille, e muitas vezes não há material com diagramação apropriada. Essa coleção foi o resultado de um sonho coletivo”, afirmou Dione.
Para Cilmara de Fátima Buss, diretora da APADEVI, o projeto representou um avanço importante na inclusão cultural. “A literatura precisa ser inclusiva. Projetos como esse ampliam horizontes e despertam a imaginação das crianças, oferecendo novas possibilidades de escolha e expressão. Ainda há uma grande carência de materiais adequados para crianças com baixa visão”, declarou.
O projeto também emocionou famílias. Josemari Bychinski Olinger, mãe de João Miguel, de 11 anos, relatou que o filho nunca havia se conectado com livros — nem mesmo os em braille.“Com os audiolivros, ele ficou encantado. Pela primeira vez, se sentiu parte do universo da literatura”, contou, comovida.
De Ponta Grossa para outras páginas da inclusão
Antes mesmo do lançamento oficial, em 2024, o projeto promoveu sessões de contação de histórias em escolas públicas de bairros periféricos de Ponta Grossa, alcançando mais de 600 estudantes do ensino fundamental. Após o lançamento na APADEVI, a coleção seguiu para eventos em Curitiba:


